2.17.2015

Revanchismo e irmandade entre moto clubes

Sim, existe, e todos nós sabemos disso. Existe também o tal do “um finge que é amigo e o outro finge que acredita”. Mas, também existem amigos de verdade, clubes e membros que são realmente parceiros e se ajudam quando necessário, que mantém o respeito um pelo outro mesmo às vezes sem muito contato.

Pessoalmente, eu estava tentando escrever este artigo já há algum tempo, mas, não sabia por onde começar. Queria falar de brigas de gangues de moto clubes, intrigas de clubes antigos que conhecemos, reputação de alguns destes clubes ligados à violência e crime organizado. Mas, também queria falar um pouco de intrigas “bobas” entre clubes pequenos, muitas vezes vizinhos de cidades ou até mesmo revanchismo entre clubes de uma mesma cidade. Pois, sim, infelizmente isso também existe.

Então, citarei alguns exemplos públicos, que praticamente todos conhecem. Mas, não apontarei o dedo para nenhum clube específico, para não aborrecer um ou vangloriar outro, e também para não magoar nenhum clube ou pessoas. Pois, sabemos que o ser humano tem uma mente muito doida, e acaba pensando que tudo diz respeito a si mesmo, quando, na verdade, não tem ligação alguma.
Enfim, vamos ao que interessa (ou não).


Revanchismo:
Acredito que a coisa toda comece por falta de esclarecimento e diálogo entre clubes e membros. Normalmente começa com desentendimento entre pessoas, depois a “briga pessoal” se torna briga do clube. Aí a coisa fica séria. O que antes poderia ser resolvido entre duas ou mais pessoas, agora tem que ser resolvido entre dois ou mais clubes.
Começa-se a levar em consideração a “disputa por existência e território”, mesmo que isso pareça cena de filme. Não como filmes de gangues de moto clube, mas, mesmo assim, existem “disputas” para afirmar qual é o clube de verdade, o mais velho, o mais “real”, o que roda mais, o que tem mais membros, o que tem as cores, o nome e escudo parecidos, quem copia quem e por aí vai.

Quando fazemos uma pesquisa rápida pela internet ou mesmo no boca a boca, um nome sempre se destaca como clube “agressivo”: Abutre’s.
É Abrutre’s isso, Abutre’s aquilo; Abutre’s é clube violento; Abutre’s rasgam colete de clubes pequenos; Abutre’s abaixam bandeira de clubes, e tudo mais. No exterior temos exemplos de clubes como Hell’s Angels, Bandidos, Mongols, Pagans, Night Wolves e por aí vai.

Normalmente, a fama não tem muito a ver com a realidade, superando o que realmente é. Se alguém de colete de clube entra em uma briga, o clube todo fica marcado, e leva a fama ruim pelo ato. Passando pelas bocas e ouvidos de muita gente desenformada, o assunto se espalha, a lenda aumenta e a fama vira uma realidade paralela muito prejudicial. Muitos clubes possuem esta fama de "criminosos", "violentos", "briguentos" ou seja lá o que for. Mas, sabemos que a realidade não é bem assim.

Nota: conheço membros de vários clubes, incluindo dos Abutre’s. É fato que dentro de clubes grandes apareçam ou um outro membro ou “membro” que não tenha a cabeça muito certa. Isso acontece com qualquer tipo de associação de pessoas. Mas, em sua grande maioria, todos são boa gente. Enquanto pessoa e clube, nunca tive ou tivemos nenhum problema com Abutre’s, Raça’s ou outros clubes, e nossas relações são sempre muito boas, dentro ou fora de nossas cidades. Aqui no artigo, cito o moto clube Abutre's simplesmente por ser um grande moto clube e que possui muitas famas. Em nenhum momento estou dizendo que algum boato entre eles ou qualquer clube seja realidade.

Voltando:
Comumente alguns revanchismos estão mesmo ligados a disputas “territoriais” pelo fato de que o clube se intitula 1%. Isso quer dizer que o clube em questão está envolvido em alguma atividade ilegal (não estou citando nenhum especificamente). Lembrando que o termo 1% está ligado a citação de um caso norte americano que dizia que 99% dos motociclistas eram gente boa, e os “agressivos” eram apenas 1%. O termo virou identidade e distingue clubes “bons” de clubes “maus”.

Certo, se um clube tem envolvimento com crimes, ilegalidade e violência, é fato que existirá disputa territorial e disputa por identidade, para promover o nome e a fama do clube em questão.

Mas, e repito: mas!, e os clubes pequenos ou clubes que não possuem este tipo de relação? Qual o motivo do revanchismo entre eles?
A resposta é simples e tão boba quanto parece: magoas; falta de diálogo; meias conversas do tipo telefone sem fio; um clube que não convidou o outro para isso ou aquilo, e por aí segue a vaidade humana.
Começa com um membro (normalmente de diretoria) gerando algum tipo de “intriga” e logo essa conversa cai nos ouvidos de outros membros, nunca do jeito certo, e rapidamente um clube inteiro está “olhando torto” para outro, sem fazer ideia do que aconteceu (se é que aconteceu).

Meio termo:
Existe meio termo? Sim, por que não? É o tal do “um finge daqui e outro finge dali”. Isso é o que mais tem. Para se manter a pose, mesmo um clube não gostando muito do outro (seja lá por que raios de motivo), ou membros que não gostam muito de outros membros de outro clube, no fim das contas todos se abraçam e apertam as mãos em encontros, eventos ou pela estrada a fora.
Isso é parte da “política de boa vizinhança”, certa diplomacia entre as pessoas e moto clubes. Para alguns, no fim das contas tudo acaba em risada, tirando onda um no outro quando não estão juntos, mas, se respeitando quando se encontram. Dificilmente um clube “pequeno” sairá na porrada com outro clube. Primeiro: por que a ideia do motoclubismo não é bem essa, e, segundo: por que simplesmente não faz muito sentido, já que não existe um motivo perigoso o suficiente para isso, como a tomada de território do tráfico de um, da prostituição do outro ou coisa assim.
Se rolar porrada, seria pela vaidade pessoal que o clube acabou comprando. E isso não é muito bem visto, e também nada bem aceito, dentro e fora dos moto clubes.

Acreditem: pequenos ou grandes, praticamente todos os clubes tem contato um com o outro, sabem quem são os integrantes que “dão trabalho” e que tentam desmoralizar outros clubes e membros. E isso sim fica marcado. Quem tem esse tipo de atitude acaba se enforcando com a própria corda.


Irmandade:
É fato que existe muita irmandade entre moto clubes, todos se adoram, rodam juntos, e convivem pouco. Esse é o segredo. Como toda família, quanto mais convivemos com outras pessoas, mais “problema” aparecem, mais “intrigas” as pessoas geram entre si.
Mas, a irmandade está sempre lá. Clubes parceiros, clubes padrinhos, novos e velhos. Como já discutimos antes, irmandade e respeito estão acima de tudo entre moto clubes (ou deveriam estar).
Não existe aquela “mágoa” estúpida entre um ou outro membro ou clube. Não existe conversinha, criancice, revanchismo... Sem essa. Entre clubes parceiros, clubes amigos e conhecidos, existe a noção da irmandade e do respeito entre o clube e seus membros. Falar mal de um, automaticamente é falar mal de todos, pois, todos seguem praticamente as mesmas regras e verdades, e o mesmo gosto por seus clubes e motos.


Irmandade, família, respeito. São motivos assim que mantém vivos os moto clubes. Quando a coisa foge esta ideia, as coisas começam a desandar, as vaidades começam a falar mais alto.

Para finalizar, é sempre bom lembrar que, se você faz parte de um moto clube ou moto grupo, sua finalidade é a mesma que a de todos os outros: rodar juntos e se divertir. Fazer o contrário disso é perda de tempo. Apensar de todas as regras, histórias, controvérsias, boatos, no fim das contas a coisa toda é muito simples. A estrada é de todos. Não importa o que aconteça, continue na estrada. 

Lembrem-se: Rodar juntos e se divertir. O resto é atraso de vida.
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Atenção: o artigo acima reflete uma opinião generalizada. Nenhum clube ou fato sitados estão sendo taxados por suas ações, tampouco sendo relacionados diretamente com fatos reais ou boatos.

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